Feliz dia dos pais atrasado!

Hoje revisando um projeto para uma amiga fui procurar no dicionário uma palavra para que eu saiba sem me restar dúvidas. Com isso veio à mente esse texto.

Sempre quando estou com dúvida de algo procuro no dicionário, é um exercício, que foi passado através da ignorância do meu pai. Não ignorância de burrice, mas de grosseria mesmo. Foi uma forma que ele mostrou pra mim de não ser preguiçosa. Quando a gente tem nossos dez, doze anos, e as professoras vêm com umas perguntas muito complexas, a gente pergunta pros nossos pais. E o meu não me respondia, ele falava “vai procurar no pai dos burros”, assim mesmo, sem paciência!! Isso fez de mim uma pessoa melhor… Aprendi que sempre que tenho uma dúvida devo ir ao dicionário. Na minha casa devem ter uns cinco dicionários, dentre eles uns três de português, claro que o Aurélio não falta – tenho dois – e o resto é de línguas. Não sei se era falta de conhecimento, ou de paciência o motivo que fazia meu pai dizer essa frase. Opto pela falta de paciência, era muito mais a cara dele. Escovar os dentes, forrar a cama e fazer tudo, mas tudo mesmo com extrema perfeição foram coisas aprendidas com o meu pai. Que faz falta hoje, pra mim.

Apolítica

O tema ficou assim por que é assim que pode-se caracterizar boa parte das pessoas no Brasil hoje em dia.

A luta pelos direitos ao voto sempre foi uma constante em todo o mundo,  e o Brasil não ficou de fora.  Mas não sei por que  os brasileiros entraram numa onda de se apolitizar.

Podemos falar que foi por descrença nos políticos e que todo político é picareta e tal. Mas na real, quem é picareta somos nós. Por não nos politizar e achar que o mundo político está perdido.

Na verdade, até dois meses atrás eu estava nessa onda de não querer saber de política.  E até vendia meu voto para uns programas de governo.

Mas ao participar da produção do documentário “4x UPP”, com a Coordenação do Cacá Diegues e a mesma equipe que fez o “5x Favela – Agora por nós mesmos”, vi que devo pensar diferente.

Começando pelo programa das UPPs, que ao longo do documentário fui percebendo que tem muitos pontos fortes e fracos.

Logo no meu primeiro dia o entrevistado era o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.  Isso não me afetou muito, fora o fato de constatar que os políticos são seres de encantadora manipulação. Como num conto de fadas, do nada você está viajando no maravilhoso mundo passado pela fala deles.

Depois foi o acompanhamento dos programas, e o constante contato com policiais e moradores. A crença e a descrença em um Rio de Janeiro melhor, para todos, pro morro e pro asfalto, foram constituindo dentro de mim uma politização, que teve seu divisor de águas na entrevista com Marcelo Freixo, do PSOL.

Ele é massa – como diriam meus familiares e amigos pernambucanos!! O cara simplesmente tem uma mente genial, e luta por causas muito legais. Eu como defensora do funk não sou muito confiável a falar…

Mas não é só isso. Vendo seus ideais e discurso e conversando com sua assessora, a Paula, reparei que a luta de esquerda, tão admirada por mim em tempos remotos do início da minha adolescência continua. Eu e  toda a minha geração têm uma grande paixão pela época da ditadura e  com certeza daria meia hora* do seu dia para estar lá lutando pelos ideais que agora a população brasileira está jogando fora. Daí eu vi que o Freixo luta por esses ideais, mas de uma forma mais atual. Só como exemplo vou citar novamente o caso do funk (tema da minha monografia né?!). Ele estabeleceu em forma de lei que o ritmo deve ser reconhecido como cultura popular. Isso é o máximo para jovens que vivem e trabalham com o funk, e que são muitas vezes descriminados só por gostarem desse ritmo de periferia.

Aliado a todo esse movimento, de UPPs, políticos, policiais, periferia, começaram a rolar na TV e Rádio propagandas sobre o voto consciente e vi o quanto é importante que eu e todos devem estar ligados à política, pois se atualmente temos uma lei (com aprovação do presidente) que proíbe os pais de baterem nos filhos, enquanto por dia morrem tantas crianças com a violência e outras condições horríveis, imagina daqui a uns 20 anos se a partir de agora nós não mudarmos e ensinarmos nossos filhos a pensarem política, como estará o Brasil?!!!!!!!!

Produça

Tentando produzir um diploma…

Mas tá difícil!

Após quase 5 anos de início do curso de produção cultural ainda não consegui concluir.

É com extrema indignação que escrevo esse post. Não consigo imaginar como as pessoas mais legais as vezes parecem tão “tacanhas”.

Na verdade eu queria fazer história, mas passei pra produção, e fui gostando, e fui trabalhando e me apaixonando, e vendo que a cultura é um dos meios com os quais podemos continuar acreditando que o Brasil vai dar certo.

É tão apaixonante produzir cultura de qualquer forma que não me vejo mais fazendo outra coisa. O cinema virou minha outra paixão – na verdade sempre foi, só que a produção dele me apaixona cada vez mais.

E agora, depois de estar inserida no mercado, feliz profissionalmente. Vem essa de que após 5 anos de faculdade, mais velha no curso que o próprio coordenador,  preciso frequentar aulas que eu já fiz, e por trabalhar e ter que faltar alguns dias posso não ter meu diploma.

Que angústia.

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