O tema ficou assim por que é assim que pode-se caracterizar boa parte das pessoas no Brasil hoje em dia.
A luta pelos direitos ao voto sempre foi uma constante em todo o mundo, e o Brasil não ficou de fora. Mas não sei por que os brasileiros entraram numa onda de se apolitizar.
Podemos falar que foi por descrença nos políticos e que todo político é picareta e tal. Mas na real, quem é picareta somos nós. Por não nos politizar e achar que o mundo político está perdido.
Na verdade, até dois meses atrás eu estava nessa onda de não querer saber de política. E até vendia meu voto para uns programas de governo.
Mas ao participar da produção do documentário “4x UPP”, com a Coordenação do Cacá Diegues e a mesma equipe que fez o “5x Favela – Agora por nós mesmos”, vi que devo pensar diferente.
Começando pelo programa das UPPs, que ao longo do documentário fui percebendo que tem muitos pontos fortes e fracos.
Logo no meu primeiro dia o entrevistado era o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Isso não me afetou muito, fora o fato de constatar que os políticos são seres de encantadora manipulação. Como num conto de fadas, do nada você está viajando no maravilhoso mundo passado pela fala deles.
Depois foi o acompanhamento dos programas, e o constante contato com policiais e moradores. A crença e a descrença em um Rio de Janeiro melhor, para todos, pro morro e pro asfalto, foram constituindo dentro de mim uma politização, que teve seu divisor de águas na entrevista com Marcelo Freixo, do PSOL.
Ele é massa – como diriam meus familiares e amigos pernambucanos!! O cara simplesmente tem uma mente genial, e luta por causas muito legais. Eu como defensora do funk não sou muito confiável a falar…
Mas não é só isso. Vendo seus ideais e discurso e conversando com sua assessora, a Paula, reparei que a luta de esquerda, tão admirada por mim em tempos remotos do início da minha adolescência continua. Eu e toda a minha geração têm uma grande paixão pela época da ditadura e com certeza daria meia hora* do seu dia para estar lá lutando pelos ideais que agora a população brasileira está jogando fora. Daí eu vi que o Freixo luta por esses ideais, mas de uma forma mais atual. Só como exemplo vou citar novamente o caso do funk (tema da minha monografia né?!). Ele estabeleceu em forma de lei que o ritmo deve ser reconhecido como cultura popular. Isso é o máximo para jovens que vivem e trabalham com o funk, e que são muitas vezes descriminados só por gostarem desse ritmo de periferia.
Aliado a todo esse movimento, de UPPs, políticos, policiais, periferia, começaram a rolar na TV e Rádio propagandas sobre o voto consciente e vi o quanto é importante que eu e todos devem estar ligados à política, pois se atualmente temos uma lei (com aprovação do presidente) que proíbe os pais de baterem nos filhos, enquanto por dia morrem tantas crianças com a violência e outras condições horríveis, imagina daqui a uns 20 anos se a partir de agora nós não mudarmos e ensinarmos nossos filhos a pensarem política, como estará o Brasil?!!!!!!!!